PARTE I A História, O Caminho do Arraial e a Rede de Caminhos Peabiru
Tivemos a participação numa das idas ao Caminho do Arraial, do professor e Arqueólogo Igor Chmyz, ao qual também fui aluna no Curso de Ciências Sociais da Universidade Federal do Paraná, que foi um dos pioneiros da arqueologia histórica brasileira, recebeu a Medalha Mário de Andrade do IPHAN, entre outros prêmios. Por anos liderou os trabalhos no Centro de Estudos e Pesquisas Arqueológicas (Cepa), criado pela Universidade Federal do Paraná em 1956 por José Loureiro Fernandes, objetivando incentivar as pesquisas arqueológicas no Brasil, especificamente no Paraná, através de escavações de sítios arqueológicos. Também participei nessas caminhadas, com a professora Maria Angélica Marochi, historiadora, autora de vários livros que contam a história de São José dos Pinhais. Cito alguns, caso lhe interesse a leitura: “Imigrantes 1870-1950: os Europeus Em São José dos Pinhais”; “Uma História de Esperança”; “História e Memória”; "Caminhando por São José dos Pinhais Paraná".
Estes foram os caminhos que eu tive o privilégio de conhecer. Sabemos que tanto o Caminho do Itupava (também chamado de caminho dos jesuítas, pois estes também se utilizaram do caminho) quanto o Caminho do Arraial, faziam parte da rede de caminhos que os índios usavam.
Peabiru era uma rota transcontinental, muito usada por indígenas brasileiros e primitivos povos andinos (muito antes dos portugueses chegarem a estas terras). Designada em seu conjunto como “caminho” ou “sistema” do Peabiru”.
Sendo a rota transcontinental de toda a América do sul antes da chegada dos homens brancos. O caminho integrava o Brasil, o Paraguai, a Bolívia e o Peru, percorrendo mais de três mil quilômetros, indo do Oceano Atlântico ao Pacífico. No Paraná, formava uma rede de trilhas, motivo pelo qual alguns historiadores preferem escrever no plural: Caminhos de Peabiru.
A primeira vez na História que o nome Peabiru foi usado data de 1873, na obra “História da conquista do Paraguai: Rio da Prata e Tucumam", pelo seu autor, o Padre Jesuíta Antônio Ruiz de Montoya. O nome Peabiru origina-se dos índios Guarani que o chamavam de o caminho de Peabeyú, que na língua Guarani significava “Caminho Antigo de ida e volta” ou “Caminho Gramado Amassado”.
Este caminho levava-os à Terra Sem Mal ou “Yvy Marã e’y”, permeando toda a sua vida material e espiritual. Para os índios o caminho tinha o sentido espiritual, seria algo sagrado.
O Professor Igor Chmyz, arqueólogo que na década de 1970 coordenou uma equipe da Universidade Federal do Paraná, que identificou 30 quilômetros da trilha do Caminho de Peabiru.
A arqueologia paranaense, vinculada aos meios acadêmicos, indica ser o Caminho do Peabiru de origem Kaingang, pois todos os trechos coincidem com vestígios de cerâmica relacionados a este grupo (CHMYZ et al, 1999). Na Revista Cadernos da Ilha, 2004, Igor Chmyz declara que:
“Meu primeiro contato com vestígios do sistema Caminho de Peabiru aconteceu de forma imprevista, em 1970 (...) fizemos uma vistoria e verificamos que de fato havia muitos sítios arqueológicos. Havia habitações subterrâneas, aterros funerários e depressões no solo como se fossem caminhos. Verificamos que havia uma relação direta dos sítios com trechos do caminho [...] nós o acompanhamos por quase 30 Km [...]”.
Curiosamente o caminho não subia as elevações. Ele as contornava. Sempre pelos flancos, era um caminho lógico que aproveitava os terrenos menos inclinados.(CADERNOS DA ILHA , 2004, p. 8, ).
Referência: IGOR CHMYZ. Terminologia arqueológica brasileira para a cerâmica. Manuais de arqueologia, número 1. Curitiba: Universidade Federal do Paraná, 1966.
Referência: O CAMINHO DE PEABIRU: IMPLICAÇÕES EM SEU TOMBAMENTO COMO PATRIMÔNIO MATERIAL E IMATERIAL Arléto Pereira Rocha (Universidade Estadual de Maringá)
http://www.cih.uem.br/anais/2015/trabalhos/1291.pdf
Assista abaixo, o vídeo sobre o Caminho do Peabiru. Vídeo financiado pelo Fundo Municipal de Cultura de Jandira.
(Terá que clicar no vídeo para ser direcionado ao Youtube).
Em 1542, o espanhol Alvar Núñez Cabeza de Vaca seguiu por um desses caminhos da mata e descobriu as cataratas do Iguaçu. Durante todo o século XVI foram constantes os relatos de viagens pelo interior das matas, quer rumo aos Andes, quer em direção ao sul e ao Paraguai.
Em 1530, Martim Afonso de Sousa havia partido de Portugal com uma missão tríplice: combater os traficantes franceses, incrementar o povoamento do Brasil e ir em busca dos tesouros andinos, justamente usando os nem tão misteriosos (na época) caminhos da mata. Em 1531, antes de fundar São Vicente, a primeira vila portuguesa da América, organizou uma expedição comandada por Pero Lobo – a qual, no entanto, foi chacinada pelos índios guaranis, na travessia do rio Iguaçu.
Em 1553 consta uma ordem dada pelo primeiro governador-geral do Brasil, Tomé de Sousa, em nome do rei de Portugal, para ser desativado o núcleo de uma suposta povoação fundada por Martim Afonso em 1532 (a Vila de Piratininga) e foi ordenado o fechamento do “caminho do sertão”, ao qual ela dava acesso, sendo proibida, sob pena de morte, sua utilização – pelo temor de que os espanhóis dele se servissem, tivessem acesso aos metais preciosos e estendessem assim sua conquista por todo o território sul-americano.
Referência:
https://pedradoindiobotucatu.com.br/2021/07/29/a-historia-do-caminho-do-peabiru/
Abaixo, assista o vídeo feito pela TV Brasil, contando a história do Caminho do Peabiru.
https://www.youtube.com/watch?v=7SojNJmu4NM
Antes da chegada de Cristovão Colombo e de Pedro Alvares Cabral na América, existia uma longa e misteriosa estrada, utilizada pelos indígenas, para interligar o Oceano Atlântico ao Pacífico. Ela passava pelas terras que hoje fazem parte do Brasil, do Paraguai, da Bolívia e do Peru; cortando matas, rios, pântanos e montanhas, num percurso de aproximadamente cinco mil quilômetros. Esta estrada se chamava "Caminho de Peabiru".
O primeiro homem branco a registrar a existência dessa trilha foi o jesuíta Pedro Lozano, no início do século dezessete, no livro história da conquista do Paraguai, Rio da Prata e Tucumán. Os estudiosos se dividem em relação as suas origens e utilidades.
Participam deste De Lá Pra Cá: Mercio P. Gomes (antropólogo, realizou o estudo "O Caminho Brasileiro para a Cidadania Indígena", do livro História da Cidadania), Rosana Bond (jornalista e pesquisadora, autora do livro "História do Caminho de Peabiru"), Igor Chmyz (arqueólogo, na década de 1970, coordenou uma equipe da Universidade Federal do Paraná, que identificou 30 quilômetros da trilha do Caminho de Peabiru) e José R. Bessa (professor da UNI-Rio/UERJ autor do livro "Aldeamentos Indígenas do Rio de Janeiro").











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