A História, Os autores Clássicos: Novinsky / Paes Leme / Silva Leme / Negrão
Anita Waingort Novinsky
Nos livros, temos muitas obras históricas que são valiosíssimas.
A começar, pela escritora Anita Waingort Novinsky, que nasceu na Polônia em 22 de novembro de 1922 e morreu em São Paulo, 20 de julho de 2021, foi uma historiadora especializada na Inquisição portuguesa no Brasil.
Graduou-se em Filosofia pela Universidade de São Paulo em 1956 tendo se especializado em Psicologia pela Universidade de São Paulo em 1958, se especializado em Racismo no Mundo Ibérico pela École des hautes études en sciences sociales em 1977, obtido o doutorado em História Social pela Universidade de São Paulo em 1970 e pós-doutorado pela Universidade de Paris I em 1983.
Foi Livre Docente da Universidade de São Paulo até o fim de sua vida. Foi a fundadora do Laboratório de Estudos sobre a Intolerância, da Universidade de São Paulo. Novinsky é considerada uma autoridade no tema da Inquisição.
Referência:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Anita_Novinsky
Pedro Taques de Almeida Paes Leme
Também, importante destacar, Pedro Taques de Almeida Paes Leme (que também temos parentesco, faço um comentário sobre a linhagem a que pertence Pedro Taques ligando a nossa linhagem, na Parte I, no Capítulo V, título Marteen Lem).
Ele foi um militar, genealogista, intelectual e historiador brasileiro que viveu no contexto do ciclo do ouro do Brasil colonial (de 1700 a 1800). Dentre suas obras, destacam-se a Nobiliarquia Paulistana Histórica e Genealógica (em três volumes) escrita a partir de 1742, mas somente publicada muito tempo depois de sua morte pelo Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.
Uma terça parte que pôde ser recuperada e publicada da obra é bastante para que Pedro Taques fosse considerado pelos historiadores, figura de capital importância entre os precursores da História do Brasil.
Sua vida profissional começa em 1737, quando assume o posto de sargento-mor do regimento da nobreza de sua cidade. Paralelamente à vida militar, empenhava-se em pesquisas históricas e genealógicas, e em 1742 estudou a história dos Buenos.
Foi sargento-mor até 1748, quando lançou o título dos Arrudas Botelhos e, ao mesmo tempo, voltou-se para a atividade de mineração nas lavras de Goiás, em busca de melhores rendas. Foi então nomeado pelo Conde dos Arcos, em 1750, escrivão da Intendência Comissária e Guardamoria do distrito de Pilar, servindo também como provedor dos defuntos e ausentes, além de tabelião.
No começo de 1754 retorna a São Paulo, em boa situação financeira, e escreve sobre a capitania de São Vicente, defendendo os direitos do conde de Vimieiro. Parte, então, para Lisboa para entregar o documento de defesa, em 1755, e o terremoto que ali se deu logo após a sua chegada, arrasa a cidade e faz com que se percam seus apontamentos, e seus bens. Sem seus trabalhos, sem nenhum bem material, ainda o acomete uma doença grave que o leva ao leito por vários meses, sendo tratado por um casal amigo.
Sua estada em Lisboa faz com que Taques conheça D. Antonio Caetano de Souza, o ilustre autor da História Genealógica da Casa Real portuguesa. Consegue, então, em 1757, ser nomeado tesoureiro-mor da Bula da Cruzada, nas capitanias de São Paulo, Goiás e Mato Grosso. Retoma suas pesquisas históricas e genealógicas.
Questionado em sua administração, Pedro Taques é subitamente afastado de suas funções, tem seus bens sequestrados e é intimado a restituir a quantia calculada como prejuízo à Fazenda Real. Pobre e doente, a partir de 1770.
Contudo, em 1774 o destino lhe sorriu com a herança de umas das irmãs, e ele reuniu o que pôde e partiu para Lisboa, a fim de atender ao chamado do Conde de Vimieiro, que precisava de seus préstimos de genealogista.
Porém, com a saúde arruinada, retornou ao Brasil em agosto de 1776, chegando a Santos no fim do ano. Morreu na mais extrema miséria em 03 de março de 1777, em São Paulo.
Seus manuscritos nunca foram publicados enquanto vivia. Sua Nobiliarquia paulistana, histórica e genealógica teve perda de mais de cem títulos, salvando-se apenas um terço. E mesmo assim trata-se de monumental obra, onde “se recolhem os mananciais de toda a história do Brasil meridional desde os primeiros tempos”.
https://archive.org/details/10011590-1/page/4/mode/2up?q=Pedro+Taques+de+Almeida+Paes+Leme
“Títulos Perdidos
Lisboa foi fundada por fenícios, conheceu seu esplendor com o Império Português do Ultramar. As principais cidades do país com seus monumentos antigos e ruas pitorescas nos dão testemunho do seu rico passado. Infelizmente, no primeiro dia de Novembro de 1755 às nove horas e quarenta minutos da manhã, ocorreu um terremoto que destruiu metade da capital portuguesa que foi reconstruída posteriormente de acordo com o estilo nobre do século XVIII. Os sismologos, o classificaram séculos depois como sendo de magnitude 9 de acordo com a Escala de Charles Francis Richter (1900-1985).
Pedro Taques de Almeida Paes Leme, nascido em 1714, na cidade de São Paulo, e falecido em 1777, sobrinho-neto de Fernão Dias Paes, "O caçador de Esmeraldas". Taques é considerado um dos maiores genealogistas brasileiros.
Ele criou uma obra a respeito dos primeiros povoadores de São Paulo, Ilha de Santa Catarina, etc, quase todos chegados entre 1502 e 1532. Seus escritos tratam de 130 a 140 famílias. Infelizmente, apenas 30 títulos contidos em três tomos chegaram ao nosso tempo (são os únicos disponíveis nas livrarias).
Consta nas crônicas familiares que em 1755, quando estava na capital de Portugal, tentando publicar a sua obra, houve o chamado ‘grande terremoto de Lisboa’, quando grande parte da cidade pegou fogo, por causa das quedas dos candelabros e lampiões, que eram usados na época, estando entre as casas sinistradas, a da senhora paulista na qual Taques estava hospedado. Acredita-se que a parte que restou, foi a que tinha sido copiada pelo Bispo de Coimbra, Dr. Francisco de Lemos de Faria Pereira Coutinho, Conde de Arganil, seu parente, de família do Rio de Janeiro, que foi guardada pela família deste, sendo publicada pela primeira vez, por volta de 1900.
Prossigo esse artigo elogiando desde já, o genealogista Lênio Luiz Richa, membro do Colégio Brasileiro de Genealogia e da Associação Brasileira dos Pesquisadores de História e Genealogia, pelo brilhante trabalho de tentar reconstituir os volumes queimados de "Nobiliarquia Paulistana Histórica e Genealógica" de Pedro Taques.
Lênio deixou disponível online, um trabalho bastante preliminar e informal, que ainda sofrerá muitas alterações e acrescentamentos, que para mim é de uma importância inestimável aos amantes de genealogia e história brasileira, façanha essa conhecida como "Títulos Perdidos" (http://bit.ly/16zj1cU).”
http://meusanguebrasileiro.blogspot.com/2013/04/titulos-perdidos.html
Livro: Biografia de Pedro Taques em “Pedro Taques e seu Tempo” (Estudo de uma personalidade e de uma época). São Paulo, 1923 Oficinas do Diário Oficial, pág 203. Por Affonso de E. Taunay
Tornou-se especialmente conhecido por ter organizado a obra Genealogia Paulistana, que narra a linhagem da elite de São Paulo.
Não posso deixar de citar também, Francisco de Paula Dias Negrão, que nasceu em 1871 e morreu em 1937. 1º Ocupante da Cadeira 10 da Academia Paranaense de Letras. Foi pesquisador que se debruçou sobre um grande conjunto de documentos (o patrimônio documental da Câmara Municipal de Curitiba é hoje um dos mais completos e conservados do país) e publicou obras fundamentais.
Ao longo de 26 anos, o pesquisador transcreveu manualmente o conteúdo de toda a documentação pública produzida em Curitiba, da fundação em 1693 até o ano de 1932, quando encerrou as pesquisas.
Na virada do século XIX para o XX, vários intelectuais paranaenses se engajaram em torno da valorização da cultura local, mais especificamente em torno da criação de uma identidade local – sentimento coletivo que inexistia até aquele momento pelo simples fato de que, durante décadas, o Paraná foi um apêndice da Província de São Paulo, desprovido de recursos e repleto de desafios como o clima e a geografia.
Escritores, pintores, músicos e, principalmente, historiadores passaram a exaltar o Paraná, num movimento que ficou conhecido como “Paranismo” e agregava muito das ideias então reinantes (como o positivismo). Francisco Negrão estava entre eles, mas sua contribuição extrapolou o Paranismo e acabou se transformando numa referência obrigatória para todo o povo paranaense.
Essa pesquisa gerou seis volumes conhecidos como “Genealogia Paranaense”. Nas palavras do pesquisador Ricardo Oliveira (que foi meu professor, de Ciência Política no Curso de Ciências Sociais na Universidade Federal do Paraná), em sua participação no Congresso Internacional Pequena Nobreza nos Impérios Ibéricos de Antigo Regime (Lisboa, 2011), a Genealogia Paranaense é “uma prosopografia do senhoriato das vilas de Paranaguá e Curitiba, um grande inventário demográfico e genealógico da região”. O primeiro volume da "Genealogia Paranaense" saiu em 1926, aparecendo até 1929 um novo volume a cada ano.
https://www.curitiba.pr.leg.br/informacao/noticias/francisco-negrao-e-as-atas-da-camara
Referência:
“O Silêncio das Genealogias – Classe Dominante e Estado no Paraná (1853-1930)”, de Ricardo Costa de Oliveira. Tese de Doutorado no Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da Universidade Estadual de Campinas, em 2000.





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