PARTE II CAPÍTULO I DE JOHANN GEORGE RAUPP A SEVERO DOMINGOS RODRIGUES

NESTE CAPÍTULO VOCÊ VAI ENCONTRAR:

-PENTAVÓS       Johann George Raupp e Apollonia Kuhn

-TETRAVÓS       Joseph Kuhn Raupp e Catharina Castorina Lefaar

-TRISAVÓS    João Jorge Raupp Neto e Ana Maria Zimmermann

-BISAVÓS    João Jorge Raupp Filho e Anna Ignácia de Sá

-AVÓS        Donatilla Raupp e Domingos Pereira Rodrigues

-PAIS    Severo Domingos Rodrigues e Anna Pereira Rodrigues


PENTAVÓS


*Johann George Raupp nasceu em 14 de abril de 1782, em Laudenbach, Mergentheim, Württemberg, Germany, casou com Apollonia Kuhn, que nasceu em 25 de fevereiro de 1784, em Laudenbach,Baden-Württemberg, Alemanha e morreu em Torres, Rio Grande do Sul, Brasil. Tiveram os filhos: Johannes Raupp, Joachim Raupp, Barbara Raupp, Andreas Raupp, Kilianus Raupp, Quintiliano Raupp e *Joseph Kuhn Raupp.

    O casal embarcou para o Brasil na galera Friedrich (veleiro), no porto de Bremen/Alemanha, e chegou ao Rio de Janeiro em 04/08/1826. Johann Georg Raupp tinha 44 anos, era agricultor, segundo alguns, era catador de larvas de videiras ou guarda de videiras na Alemanha, especialização importante e valorizada de técnico-agrícola para a cultura das parreiras. 

    Além do irmão José Raupp com toda a sua família, com o casal no mesmo navio, vieram três dos cinco filhos: Francisco (10 anos), André (5 anos) e Quintiliano (3 anos). Os dois filhos mais velhos, Johann (19 anos) e Joseph, de idade desconhecida, provavelmente não acompanharam os pais, pois não há registro a respeito. A viagem do Rio de Janeiro para Porto Alegre foi feita com "frete a pagar", na sumaca Generosa (barco de dois mastros), iniciando em 26/08/1826 e aportando na metade de setembro. O filho Francisco morreu, talvez no percurso.

    Este grupo de imigrantes constituía a décima e última leva do ano de 1826, e não foi destinado para São Leopoldo, pois não consta entre os nomes de mais de cinco mil que chegaram àquela localidade entre 1824 a 1830. De Porto Alegre foi o grupo para Torres, incluído na caravana formada por cinco iates, que saiu em novembro de 1826, comandada pelo Tenente Coronel Francisco de Paula Soares, com 422 pessoas. 

    Os outros integrantes eram imigrantes que não haviam gostado das condições da Colônia de São Leopoldo. Vários morreram na viagem. O trajeto foi pelo rio Guaíba, Lagoa dos Patos, contornando Itapoã e atingindo o rio Capivari. Até esse ponto, a viagem foi sem incidentes.

    Em 5 de novembro, iniciou-se o trajeto por terra, já faltando quatro carretas. Assim, algumas famílias tiveram que ficar aguardando transporte. Seguindo por Quilombo, até chegarem ao Passo de Tramandaí no dia 7 de novembro. Aí ocorreu outro contratempo: faltaram canoas e remadores para atravessar o rio; a travessia prevista para durar três dias, levou sete dias. 

    A caravana seguiu pela praia até Torres, chegando no dia 17 de novembro, acampando próximo ao rio Mampituba,  mas uma enchente os obrigou a ir para a Colônia de São Pedro de Alcântara, no município, onde a família fez da agricultura sua subsistência e plantava cana-de-açúcar para a fabricação de aguardente, que era transportada em burros e depois por barcos até Conceição do Arroio (atual Osório). 

    No falecimento de Joseph Raupp, o quinto filho, a família já estava dispersa; um de seus filhos, Daniel Raupp, foi sócio do "Mirim", primeiro vapor de carga e passageiros a navegar entre Palmares e Porto Alegre. Johann Raupp, o filho mais velho, foi morar em Gravataí.



Referência

Lista de passageiros retirada do livro “O Trabalho Alemão no Rio Grande do Sul” de Aurélio Porto, Edição de 1934

ver em Projeto Imigração Alemã: 

http://sites.rootsweb.com/~brawgw/alemanha/Projeto_imigracao_alema.htm

http://sites.rootsweb.com/~brawgw/alemanha/lista_de_passageiros.htm

    “O 19º embarque foi efetuado pelo navio Friedrich, capitaneado por Hans C. Stille e tendo como comandante do transporte o Ten. Julius Mansfeld. O embarque dos passageiros foi em 23/05/1826 mas a partida deu-se em 01/06/1826 no porto de Bremen, chegando ao Rio de Janeiro no dia 04/08/1826. Trazia 238 pessoas, sendo 152 soldados com 5 esposas e 2 crianças, além de 18 colonos com 11 esposas e 44 crianças.

    O transatlântico Friedrich, deixaria no porto do Rio de Janeiro, às seguintes famílias, que posteriormente chegariam a São Leopoldo:

    Dietz, Engel, Ewald, Gebert, Gitter, Hiller, Kern, Kümmel, Löwe, Meyer, Orth, Raupp, Reinhardt, Ressler, Schildt, Schmidt, Schröder, Seidler e Weber”.

http://www.mluther.org.br/imigracao/relacao-veleiros.htm



TETRAVÓS


*Joseph Kuhn Raupp nasceu em 26 de outubro de 1813, em Laudenbach, Rhein-Neckar-Kreis, Baden-Württemberg, Alemanha e morreu em 1872, na Colônia São Pedro-Torres-RS, foi casado com  Catharina Castorina Lefaar que nasceu em 1815 em Tübigen,Baden-Württemberg, Alemanha e morreu em 1874 na Colônia São Pedro-Torres-RS. Tiveram os filhos: João Leffaa Raupp, André Leffa Raupp, Mariana Raupp, José Lefaa Raupp, João Raupp, Daniel José Raupp, Guilherme Frederico Raupp, Adão José Raupp, Quintiliano Leffa Raupp, Antonio José Raupp, Maria Teresa Lefaa Raupp, Francisco Joaquim Raupp, Anna Catharina Raupp, Guilhermina Raupp e *João Jorge Raupp Neto.

    Os dois filhos mais velhos de Johann George Raupp, provavelmente vieram em outro navio. Mas conforme verificamos no texto abaixo, *Joseph Kuhn Raupp chegou em Torres em novembro de 1826.

    Abaixo, no texto de Marcos Antônio Witt apresentado ao curso de Pós Graduação em História, na PUC-RS, Joseph é citado muitas vezes por ter adquirido fortuna rapidamente, sendo um diferencial entre outros colonos imigrantes.

    José Raupp transpôs o rio Mampituba e comprou terras na província de Santa Catarina. Integrou a caravana dos colonos que foram enviados à Colônia das Torres em 1826. 

    Possivelmente tenha despontado sua liderança desde cedo, pois em 1829 já tinha conquistado o lugar de juiz de paz. Certamente foi um colono abastado, estabelecendo-se nas cercanias de Torres. Em seu inventário em 1873 constavam 14 escravos, 24 propriedades territoriais, inúmeras benfeitorias como atafona (engenho de moer grãos, manual ou movido por animais), olaria, alambique, curtume, lancha e iate, além de cinco bestas, além destes bens tinha uma venda que foi descrita em detalhes no trabalho de de Marcos Antônio Witt.

pág 14, fala sobre INVENTÁRIOS PESQUISADOS – APERS


pág 198

pág 200

pág 204

pág 211

pág 217
Pág 230


pág 275

pág 328

Referência
Luciano José da Silva. As crônicas de Ruschel apresentam dados tanto sobre os Rolim quanto os Raupp. Ver: “Um Juiz Torrense dos Primórdios”, p. 122-123 e “Como chegaram os Raupp”, p. 106-107. In ELY, op. cit. Ainda, sobre os Raupp, ver: WITT, op. cit.,2001.
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL – PUCRS FACULDADE DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM HISTÓRIA
EM BUSCA DE UM LUGAR AO SOL: ANSEIOS POLÍTICOS NO CONTEXTO DA IMIGRAÇÃO E DA COLONIZAÇÃO ALEMÃ (RIO GRANDE DO SUL - SÉCULO XIX)- Porto Alegre 2008 / Marcos Antônio Witt
ver também: POLÍTICA NO LITORAL NORTE DO RIO GRANDE DO SUL: A PARTICIPAÇÃO DE NACIONAIS E DE COLONOS ALEMÃES – 1840/1889, de MARCOS ANTONIO WITT, página 192 a 194


TRISAVÓS

Velha Matriz, construída pelos imigrantes em 1853, em dia de festa do centenário da igreja, Torres, Rio Grande do Sul.

*João Jorge Raupp Neto nasceu em 29 setembro 1835 em Torres, Rio Grande do Sul, Brasil e morreu em 3 de abril de 1883 em São João do Sul, Santa Catarina, Brasil, casou com Ana Maria Zimmermann que nasceu em 1836 em Torres, Rio Grande do Sul, Brasil e morreu em 30 junho 1887 em São João do Sul, Santa Catarina, Brasil. Tiveram os filhos: Antonio João Raupp, Maria Luiza Raupp, Balbina Raupp, Leopoldina Maria Raupp e *João Jorge Raupp Filho.

    A família de Anna Maria Zimmermann também veio da Alemanha, conforme verificamos abaixo:

    “Pelo navio Anna Louise veio o 3º embarque. O navio era capitaneado por Johann Heinrich Knaack e o comandante do transporte era M. Sulz. Partiu de Hamburgo em 24/03/1824 e chegou ao Rio de Janeiro em 04/06/1824. Além de 200 soldados vieram ainda 126 colonos. Os primeiros 38 imigrantes que chegaram na Feitoria do Linho Cânhamo em 25/07/1824 eram passageiros do Anna Louise.

    Os primeiros imigrantes que chegaram à Feitoria no dia 25/07/1824, no total de 39 pessoas, representadas pelas famílias: Krämer, Hammel, Höpper, Pfingst, Timm, Bentzen, Rust e Jacks, todos eram passageiros do Anna Louise. Mais tarde vieram à Colônia de São Leopoldo ainda as seguintes famílias, que também fizeram a travessia do Atlântico pelo Anna Louise: Ahrends, Asmus, Bergmann, Blum, Fischer, Hask, Helsing, Jäger, Kircher, Kümmel, Lange, Märtens, Meyer, Natske, Rasch, Rohde, Roth, Schmidt, Schwaan, Stier, Träger, Warnecke, Weber, Zimmermann e o primeiro médico da colônia Karl Gottfried von Ende.”

Referência:

http://www.mluther.org.br/imigracao/relacao-veleiros.htm

    Abaixo no casamento do filho João Jorge Raupp Filho, podemos verificar os nomes dos pais, onde consta:  “… João Jorge Raupp Filho, filho legítimo de João Jorge Raupp e de Anna Maria Raupp de vinte e cinco anos, com Anna Ignácia de Sá, filha legítima de Tobias Cândido Soares de Sá e de Zélia Ignácia do Canto…”



Referência
Referência: "Brasil Casamentos, 1730-1955", database, FamilySearch (https://familysearch.org/ark:/61903/1:1:V2KM-DBZ : 31 January 2020), Joao Jorge Raup, 1884.


BISAVÓS

Anna Ignácia de Sá.  A foto foi colorizada.


*João Jorge Raupp Filho nasceu em 1861 em Araranguá, Santa Catarina, Brasil, se casou com Anna Ignácia de Sá, que nasceu em 1867 em Araranguá, SC, Brasil e morreu em 29/01/1969 em Florianópolis, Santa Catarina. Tiveram os filhos: Olímpia Raupp de Sá, João Jorge Raupp, Tobias Raupp de Sá, Tercilia Raupp de Sá, Olivia Raupp de Sá, Lila Raupp dos Santos, Santino Raupp De Sá, Felinto De Sá, Perry Raupp De Sá e *Donatila Raupp.

    Teresa também conta que chegou a conhecer Anna Ignácia de Sá, era conhecida como “Vó Aninha”, e que ela gostava muito de fazer crochê.


Abaixo, conforme já citado na linhagem anterior, o casamento de João e Anna Ignácia, onde consta:  “Aos dezesseis de agosto de 1884 nesta Freguesia de Nossa Senhora Mãe dos Homens de Araranguá… nesta Igreja Matriz às cinco horas da tarde em minha presença e das testemunhas abaixo assinadas, receberam em matrimonio por palavras de presente-João Jorge Raupp Filho, filho legítimo de João Jorge Raupp e de Anna Maria Raupp de vinte e cinco anos, com Anna Ignácia de Sá, filha legítima de Tobias Cândido Soares de Sá e de Zélia Ignácia do Canto, com dezessete anos de idade, moradores desta Freguesia …”




Referência
Referência: "Brasil Casamentos, 1730-1955", database, FamilySearch (https://familysearch.org/ark:/61903/1:1:V2KM-DBZ : 31 January 2020), Joao Jorge Raup, 1884.

Abaixo, consta o batismo do filho João, irmão de Donatila: “Aos vinte e seis de junho de 1887 nesta Freguesia de Nossa Senhora Mãe dos Homens de Araranguá batizei e ministrei os Santos óleos a João, nascido a 17 de janeiro último, filho legítimo de João Jorge Raupp Filho e de Anna Ignácia da Silva, avós paternos João Jorge Raupp e Anna Maria Raupp, avós maternos Tobias Cândido Soares de Sá e Zélia Ignácia do Canto, padrinhos: José Luiz Raupp e Anna Theresa Raupp…”



Referência

"Brasil Batismos, 1688-1935", database, FamilySearch (https://familysearch.org/ark:/61903/1:1:XJ5C-798 : 14 February 2020), Joao Jorge Raupp Filho in entry for Joao Filho, 1887.

Cemitério Municipal Itacorubi - São Francisco de Assis-298 Rua Pastor William Richard Schisler Filho -Florianópolis,  Santa Catarina

Referência
Cemitério Municipal Itacorubi - São Francisco de Assis-298 


AVÓS

Santuário Nossa Senhora Mãe dos Homens, Araranguá, SC 4 de maio de 1948
Foto: José Genaro Salvador.



 *Donatilla Raupp nasceu em 30 de julho 1885, em Paulo Lopes, Santa Catharina, Brasil e morreu em 23 de julho de 1946 em Araranguá, Santa Catarina, Brasil, casou em 22 abril de 1899 com Domingos Pereira Rodrigues, que nasceu em 19 de outubro de 1876, em Paulo Lopes, Santa Catarina, Brasil e morreu em 2 de março de 1946, em Paulo Lopes, Santa Catarina, Brasil. Tiveram os filhos: Zelia Rodrigues, Mariana Pereira Raupp, José Rodrigues, Manoel Domingos Rodrigues, Francisco Raupp, Tercilla Pereira Raupp, Laura Pereira Martins, João Raupp Rodrigues, Ida Raupp, Alcides e *Severo Domingos Rodrigues.

    Abaixo consta o registro no Civil, do casamento de Donatilla e Domingos, onde podemos ver: “Aos 22 do mês de abril de 1899 às quatro horas da tarde na casa da residência do cidadão João Jorge Raupp presente aí o 1º Juíz de Paz em exercício cidadão Durval, digo… receberam em matrimônio o…”

Continua na folha seguinte: “... o cidadão Domingos Pereira Rodrigues filho legítimo do finado Manoel Vieira Rodrigues e de sua mulher D. Maria do Carmo Pereira Rodrigues, com vinte e dois anos de idade, natural deste Estado e residente nesta Vila de Garopaba e D. Donatila Raupp de Sá filha legítima de João Jorge Raupp e de sua mulher D. Anna Ignacia de Sá, com quinze anos de idade, natural deste Estado e residente no referido lugar…”



Referência:
 "Brasil, Santa Catarina, Registro Civil, 1850-1999", database with images, FamilySearch (https://www.familysearch.org/ark:/61903/1:1:6C1G-P2X9 : 31 January 2021), Donattila Raupp Or Ranpp de Sá in entry for Domingos Pereira Rodrigues, 1899.

Abaixo consta o registro de casamento na Igreja, 3 anos depois do casamento civil de Donatila e Domingos.



Referência:
 "Brasil, Santa Catarina, Registros da Igreja Católica, 1714-1977," database with images, FamilySearch (https://familysearch.org/ark:/61903/1:1:QG29-XKBX : 1 April 2020), Donathilla Raupp de Sá in entry for Domingos Pereira Rodrigues, 4 Apr 1902; citing Marriage, São Joaquim, Garopaba, Garopaba, Santa Catarina, Brasil, Arquidiocese de Florianópolis (Archdiocese of Florianópolis), Santa Catarina; FHL microfilm 1,253,577.

    Verificamos que o casamento na Igreja foi 3 anos depois que o casamento no Civil, isto porque no Brasil teve o Decreto nº. 521 de 26 de junho de 1890 que proibia que se celebrasse matrimônio religioso antes da lavratura em assento de registro civil do casamento, impondo pena de seis meses de prisão ao ministro de culto (párocos católicos ou pastores protestantes) que infringissem tal norma, que não teve uma data única de entrada em vigor em todo território nacional, mas sim três dias após a publicação pelo juiz de direito de cada comarca.

Referência

    Abaixo consta o registro de óbito de Donatila e na mesma folha do livro, o registro seguinte, podemos ver também, o registro de óbito de uma criança de nome Maria, filha de Severo Domingos Rodrigues e Ana Maria Pereira, com quatro meses de idade.

Segue: “Termo de óbito nº 168 Aos 23 dias do mês de julho de 1946 neste Distrito de Paulo Lopes, Município de Palhoça, Estado de Santa Catarina em meu Cartório compareceu Juvêncio Virgilio digo Rodrigues e declarou-me perante duas testemunhas abaixo assinadas que no lugar Costa do Morro neste mesmo Distrito em sua própria residência faleceu Donatilla Raupp Rodrigues, de cor branca, do sexo feminino, de profissão doméstica, viúva com sessenta e um anos de idade, filha de João Jorge Raupp e de Anna Ignácia de Sá, faleceu sem assistência médica, foi a morte natural  e foi sepultada no Cemitério público deste sede…” 


Abaixo, o óbito da criança, filha de Severo e Ana, neta de Donatila e Domingos, constante na mesma folha do livro: “Termo de óbito nº 169 Aos 5 dias do mês de agosto de 1946 neste Distrito de Paulo Lopes, Município de Palhoça, Estado de Santa Catarina em meu Cartório compareceu Pedro Pereira Rodrigues, e declarou-me perante duas testemunhas abaixo assinadas, que no lugar Costa do Morro, neste Distrito, em sua residência faleceu uma criança de nome Maria, de cor branca, do sexo feminino com 4 mês de idade, filha de Severo Domingos Rodrigues e Anna Maria Pereira, faleceu sem assistência médica…” 



    Abaixo, segue a segunda folha do livro, continuação do óbito da criança: ”foi morte natural e foi sepultada no Cemitério público desta sede…”



Referência
"Brasil, Santa Catarina, Registro Civil, 1850-1999", database with images, FamilySearch (https://www.familysearch.org/ark:/61903/1:1:4DJT-1ZZM : 27 December 2020), Donatila Raup Rodrigues, 1946.

    Abaixo, segue a foto de Pedro Pereira Rodrigues, "tio Pedrinho", irmão de Anna Pereira Rodrigues (tio de Antônio) que aparece em alguns registros como testemunha ou declarante.

Pedro Pereira Rodrigues  1916 - 2010


PAIS
Severo e Anna com a neta Sônia, em seu batizado, 1962
Foto tratada e colorizada


*Severo Domingos Rodrigues nasceu em 10 de janeiro de 1910 e morreu em 1987, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil, casou com Anna Pereira Rodrigues (sua prima em primeiro grau) que nasceu em 1913, em Garopaba, Santa Catarina, Brasil e morreu em 1984, em Florianópolis, Santa Catarina, Brasil. Tiveram os filhos: Pedro, Eva, Gercy, Maria, Doraci, Teresa, Adão, Amin, Zamir, Manoel, Donatila e *Antonio.

    Foram poucas as vezes que vi meus avós, pois moravam em Santa Catarina e eu no Paraná. Não era tão fácil para um mecânico, com sete filhos viajar com frequência, além de que quando viajava para visitar seus pais, tinha que revezar os filhos que o acompanhariam. Naquela época, pagar uma passagem de ônibus interestadual não era barato (pelo menos para o nosso padrão econômico).

    Teve uma vez que estava tudo pronto para eu acompanhar meu pai até Porto Alegre, Rio Grande do Sul, para ver seu pai (mais tarde explico essa história dele morar no Rio Grande do Sul) e quando chegou o dia, peguei caxumba e minha irmã é quem foi no meu lugar. Não conhecia Porto Alegre e estava tão empolgada que com o rosto todo deformado de inchaço por causa da caxumba, ainda queria convencer minha mãe que não tinha nada.

    Então, não tenho muitas lembranças dos meus avós, mas as poucas que tenho são muito boas. Lembro que meu avô teve uma gaivota. Ela ficava livre, mas sempre voltava para o seu quintal, que era o seu lar.  E meu avô, quando o peixeiro passava,  com uma caixa de isopor em cima da bicicleta e tocando a buzina da bicicleta para avisar que estava passando, então meu avô comprava peixe pra família e pra sua gaivota.

    Falando em peixe, ainda hoje, sinto o cheiro da comida de minha avó: pirão de peixe com arroz branco. Apesar de não gostar muito de peixe, achava aquela comida deliciosa.

    Meus avós eram pessoas gentis e se tratavam com muito carinho. Quando minha avó morreu, eu tinha sete anos e ainda lembro do dia. Nós, as crianças da família, saímos pedindo aos vizinhos as flores dos seus jardins para colocarmos no funeral de nossa avó. Ela sempre dizia que quando morresse queria que tivesse muitas flores.

    Lembro da tristeza do meu avô, esguichando o perfume preferido de sua esposa em cima do seu caixão, dizendo que era para sentir uma última vez aquele cheiro. São lembranças como esta que devem ser eternizadas, lembranças de amor, apesar de triste.

    Algum tempo depois meu avô começou a ficar doente, seu filho que morava em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, o levou para morar com ele. Poucos anos depois, meu avô morreu também, acredito que tenha morrido de amor, de saudade de sua amada.

    Lembro das vezes que surpreendi meu pai sentado na beira da cama, lendo as cartas de sua mãe. Naquela época era por carta que se comunicavam e em casos de urgência, eram enviados telegramas. Mas o telegrama era mais usado para mensagens de morte na família (que foi o que ele recebeu quando seus pais morreram).

    Mas, como dizia, meu pai sempre lia e relia as cartas de sua mãe e quando eu chegava no quarto, percebia que colocava as mãos nos olhos, como que secando as lágrimas. Lágrimas escondidas. Mas nunca conversamos a respeito, também, nunca lhe perguntei nada sobre o motivo, pois mesmo sendo criança, sabia qual era: a saudade.

    Uma vez li num museu, sem autor, num quadro antigo, feito de tecido bordado à mão, a seguinte frase:

 “Onde dois corações batem com saudade, o amor dura até a eternidade”.

Anna e Severo

    Abaixo, o registro do casamento de Severo e Anna: “Termo de Casamento nº 19  Aos 25 dias do mês de junho de 1932 na casa da residência do Sr. Davi Pereira Rodrigues neste Distrito de Paulo Lopes, presente do cidadão Alvim Manoel da Silveira, Juiz distrital, comigo, escrivão…e terem sido publicados os editais de proclamas de casamento 9 de junho do corrente ano e não tem sido oposto impedimento algum. Receberam-se em matrimônio Severo Domingos Pereira (tem uma observação ao lado direito da folha,  salvo em tempo o nome do contraente é Severo Domingos Rodrigues e não Severo Domingos Pereira)  e Anna Pereira Rodrigues, o contraente Severo Domingos Pereira solteiro, nascido a 13 de janeiro de 1908, filho legítimo de Domingos Pereira Rodrigues e Donatilla…” E por fim, Severo assina o documento como Severo Domingos Pereira.


Com a seguinte observação ao lado direito da folha:


Abaixo, a segunda folha do documento continua:”... Raupp de Sá, e a contraente Anna Pereira Rodrigues, solteira, nascida em 20 de maio de 1913, filha legítima de Davi Pereira Rodrigues e Maria Clarinda da Silva, ambos são naturais deste Estado e residentes neste Distrito…”


Referência: 

"Brasil, Santa Catarina, Registro Civil, 1850-1999", database with images, FamilySearch (https://www.familysearch.org/ark:/61903/1:1:W1FS-HJZM : 27 December 2020), Severo Domingos Rodrigues, 1932.

https://familysearch.org/ark:/61903/1:1:W1FS-HJZM

Adão (o tio Adão), irmão de Antônio, as fotos foram tiradas por Antônio, provavelmente na mesma viagem que fez a Santa Catarina para o batismo de sua primeira filha.
As fotos foram tratadas  e colorizadas. 

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