PARTE II A COLONIZAÇÃO ALEMÃ NO BRASIL

 

Representação da imigração Alemã ao sul do Brasil. Pintura digital. Criação ©Rosicleia Rodrigues 2026

Serraria de imigrantes em Jaraguá do Sul húngaros-alemães, por volta de 1915,  foto de Juan Herrero.

    Em Morrinhos do Sul, Rio Grande do Sul, o povoamento da região iniciou-se por volta do ano de 1826, com a chegada de imigrantes alemães, que apesar de serem instalados na Colônia de São Pedro de Alcântara, reemigraram para outras localidades devido às escassas terras para tantos colonos. A fundação da colônia de Três Forquilhas e de S. Pedro de Alcântara foi por volta de 1826, com o intuito de ocupar o litoral.

    Entre estes imigrantes estavam os primeiros colonos alemães que se tem registro em Morrinhos do Sul foram as famílias Jacob Borges, João Carlos Model, André Webber, Hahn, Behenck, Evaldt, Schwanck, Raupp e Schütz.

    Logo que chegaram, iniciaram o desmatamento da área e as plantações. Tudo era muito difícil. A assistência que recebiam do governo era praticamente nula. Jogados à própria sorte, os colonos alemães viram-se obrigados a enfrentar sozinhos as dificuldades que a região apresentava. Não havia acesso. A comunicação com a “civilização” era precária e o socorro às doenças era feito por eles mesmos. 

Referência

https://morrinhosdosul.rs.gov.br/institucional/



A PRIMEIRA COLÔNIA ALEMÃ DE SANTA CATARINA

Estilo alemão de construção de casas em Blumenau.

    O brigue Luiza atracou em Desterro, hoje Florianópolis, em 7 de novembro de 1828, trazendo os primeiros imigrantes. O bergantim Marquês de Viana, 5 dias depois, chegou com mais um grupo. Eram em torno de 146 famílias, há registro que foram 166.

    Parte do grupo de imigrantes e soldados que aportaram na capital veio para São Pedro de Alcântara no ano seguinte, fundando a colônia em 1º de março de 1829. Mais tarde, alguns imigrantes seguiram para diversas partes do Estado, principalmente no Vale do Itajaí.

    Os que permaneceram se dedicaram ao cultivo da terra e ao desenvolvimento da cidade. Ao chegarem, conheceram uma realidade não menos dura do que a encontrada na Alemanha e sabiam que o acolhimento pelo Brasil tinha como finalidade povoar áreas, até então pouco exploradas economicamente, era preciso desenvolver a policultura em pequenas propriedades.

    Com a Proclamação da República no Brasil, as terras do Sul passaram a ser vistas como uma oportunidade de criar novos povoamentos e desenvolvimento para o país. Entre 1824 e 1830 estima-se que imigraram da Alemanha 5350 pessoas. Durante a Revolução Farroupilha (1830 e 1844) a imigração foi interrompida, mas após o término da revolta entre 1844 e 1850 chegaram mais dez mil imigrantes. Entre 1860 e 1889 mais de dez mil. Por fim, entre 1890 e 1914 mais de dezessete mil.

Referência:

http://www.pmspa.sc.gov.br/noticias/ver/2021/03/192-anos-de-imigracao-alema-em-sao-pedro-de-alcantara

http://pt.wikipedia.org/wiki/Brigue_Luiza

http://www.tonijochem.com.br/navio_imigrantes.htm

https://www.infoescola.com/historia/imigracao-alema-no-rio-grande-do-sul/


A FAMÍLIA RAUPP


    Ao falarmos da imigração Alemã, citamos a família Raupp. A descendência dos irmãos Raupp que vieram em 1826 é tão grande que há até uma festa da família “Encontro Nacional da Família Raupp”, um encontro para todos os seus descendentes.

    Abaixo, podemos verificar o discurso feito pelo então senador Valdir Raupp, na época, em 19/11/2007, onde registrou em Plenário a sua participação no 20º Encontro Nacional da Família Raupp, realizado no dia 7 de outubro do mesmo ano, na cidade de Sombrio, em Santa Catarina.


    Podemos verificar parte do seu discurso: 

    “... Em meio a tudo isso, eu gostaria de fazer uma breve pausa e de solicitar a atenção do Plenário para um evento do qual participei pela primeira vez e que foi motivo de muita alegria pessoal, alegria que gostaria de compartilhar com V. Exªs. Refiro-me, Sr. Presidente, ao XX Encontro Nacional da Família Raupp, da minha família, ocorrido no último dia 7 de outubro na cidade de Sombrio, em Santa Catarina. Foi realmente uma ocasião muito festiva. Logo pela manhã, realizamos missa na Igreja Matriz Santo Antônio de Pádua, seguida de ato solene, com a presença de várias autoridades, e de exibição de documentário que permitiu aos presentes conhecer a história dos primeiros imigrantes do extremo sul catarinense. A missa foi celebrada pelo Padre Sérgio Raupp, de 85 anos, de Porto Alegre. Na sequência, tivemos um almoço no salão paroquial da Igreja Matriz, com música típica alemã, com a apresentação de um grupo de dança folclórica e com também sorteio de brindes.

    Enfim, foi um momento de grande confraternização em que estiveram reunidas cerca de oitocentas pessoas para celebrar os 181 anos em que os irmãos Joseph Raupp e Johann Georg Raupp aportaram em nosso País, com suas respectivas famílias, precisamente no dia 4 de agosto de 1826, vindos da região de Württemberg, na Alemanha, mais precisamente, Sr. Presidente, da cidade de Laudenbach, cidade que hospedou a seleção brasileira na Copa da Alemanha. Foi de lá que vieram meus ancestrais da família Raupp para o nosso querido Brasil.

    Aqueles eram tempos difíceis na Europa. Estávamos no fim das invasões napoleônicas e no início da Revolução Industrial. Havia uma legião de pessoas desempregadas, sem perspectiva, porque não tinham a capacidade exigida para lidar com os novos meios de produção. Por isso, agricultores e artesãos sem emprego, com o solo degradado por muitos anos de uso incorreto, viram a oportunidade de emigração para o Brasil como uma salvação contra a fome, contra o desemprego e contra a miséria desesperadora.

    É difícil imaginar que, naquela época, na Alemanha, na Europa, houvesse uma situação muito pior do que a nossa hoje, aqui no Brasil. Ao chegarem ao nosso País, os Raupp se fixaram na Colônia de São Pedro de Alcântara, no Rio Grande do Sul, onde passaram a desenvolver a agricultura e o plantio de cana-de-açúcar para a fabricação de aguardente. Mais tarde, alguns membros da família foram para Porto Alegre, enquanto outros preferiram o extremo sul de Santa Catarina, onde tiveram participação fundamental tanto na economia quanto nas políticas regionais. De lá, os Raupp se disseminaram pelo Brasil.

    Sou natural do sul de Santa Catarina. Minha mãe se chama Auta Raupp, já com 87 anos, também descendente dos imigrantes alemães. Hoje, estamos presentes em Pernambuco, no Rio de Janeiro, em São Paulo, em Rondônia, no Paraná, em Mato Grosso, em várias outras cidades do Rio Grande do Sul e em muitos municípios do extremo sul de Santa Catarina. Nas mais diversas áreas, estamos ajudando a construir este imenso Brasil, País que forjou sua identidade nacional graças à união de vários povos: índios, negros, europeus e asiáticos. Entre esses povos, inclui-se a família Raupp. Tenho, portanto, Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, uma enorme satisfação de pertencer a uma família numerosa e unida, que tem realizado muito pelo nosso querido e amado Brasil.

    Já finalizando, Sr. Presidente, quero dizer que considerei oportuno realizar este breve pronunciamento sobre o XX Encontro Nacional da Família Raupp, porque a história da vinda de nossa família para o Brasil trouxe consideráveis contribuições para a colonização do litoral norte do Rio Grande do Sul e do extremo sul de Santa Catarina. Constitui, portanto, um fato histórico que deixou sua marca indestrutível na vida nacional, marca essa que tenho orgulho de compartilhar.

    Eram essas, Sr. Presidente, minhas palavras na tarde de hoje.

Muito obrigado.”

Referência:

https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2007/11/19/senador-destaca-realizacao-do-20-encontro-da-familia-raupp-no-brasil

https://www25.senado.leg.br/web/atividade/pronunciamentos/-/p/pronunciamento/371160

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