Nem toda superstição é inocente.

Aquilo que parecia apenas uma crendice de avó — como o medo de apontar para a primeira estrela no céu — pode esconder um segredo muito mais antigo e sombrio. Um código de sobrevivência criado em tempos em que um simples gesto podia condenar famílias inteiras à morte.

Neste livro, a história da família Rocha, em São José dos Pinhais, revela muito mais do que uma árvore genealógica. A partir das memórias de uma menina curiosa e das histórias contadas na varanda pelo avô, surge uma investigação que atravessa séculos, continentes e silêncios.

Entre raízes indígenas, saberes ancestrais, resistência cultural e documentos esquecidos, emerge uma revelação surpreendente: a ligação com cristãos-novos perseguidos pela Inquisição — descendentes de judeus que precisaram esconder sua fé para sobreviver.

Rituais disfarçados, casamentos estratégicos, costumes cotidianos… tudo fazia parte de um sistema invisível de proteção.

Ao mesmo tempo, essa herança se entrelaça com a própria formação do Brasil: bandeirantes, caminhos indígenas, fuga, violência e sobrevivência moldando territórios como Curitiba e São José dos Pinhais.

Este não é apenas um livro sobre uma família.

É uma história sobre memória, identidade e resistência.

Uma prova de que, muitas vezes, o passado não está nos grandes eventos — mas nos gestos mais simples, repetidos em silêncio por gerações.

 

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